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A gente sempre imagina uma startup como um projeto que nos vai proporcionar algum aplicativo. Algo útil para nos ajudar na mobilidade, por exemplo. Como usar alguma plataforma para saber o horário do ônibus para o trabalho. Pode até ser. Mas o conceito vai muito além disso. É uma forma também de equilibrar nossas demandas com o que acontece ao redor. Então deixo a pergunta, até onde vai sua experiência com essas empresas?

É o que a BI/OS (Biologic Input/Output Solutions) quer trazer aos usuários. Uma imersão ao que acontece no nosso cotidiano, integrando ainda a natureza. A startup, idealizada por Paulo Carvalho, Isac Filho e Rafael Rattes, está embarcada no Porto Digital. O Tecnosense sentou com os meninos para conversar sobre os projetos da empresa, estratégias e como eles querem reunir tecnologia, biologia e inovação.

As ideias que deram origem a BI/OS surgiram durante o feriado de Finados, em novembro de 2015. Paulo, Isac e Rafael já se conheciam de outras datas e, após várias discussões, aproveitaram o momento para concretizar o projeto. Mas para falar da startup é preciso também explicar o conceito de Biodigital.

Numa explicação simples, Biodigital é unir tecnologia computacional com informação biológica. “É usar inspirações biológicas através de linguagem computacional e aplicá-las no projeto”, responde Paulo Carvalho, arquiteto de inovação biodigital da startup. A ideia é usar soluções dos sistemas naturais e traduzi-las em programação. “O produto biodigital será elaborado digitalmente, mas com informação biológica”, complementa.

Cartão de visita BI/OS: divisão celular em que as células são expandidas quanto mais afastadas do nome da startup
Cartão de visita BI/OS: divisão celular em que as células são expandidas quanto mais afastadas do nome da startup

Um dos produtos criados pelos empreendedores foi um cartão de visita. Na verdade, ele é uma divisão celular em que a marca BI/OS no cartão interfere no tamanho das células. O projeto concentra as células próximas ao nome da startup e as expande quando afastadas. “Ele foi feito através de uma função matemática encontrada na natureza”, explica Paulo.

A solução orgânica é simulada com softwares computacionais de design. Com isso, os sócios conseguem aplicá-la no projeto, como o cartão. “Os parâmetros [para a produção] são todos controlados. A gente controla, por exemplo, quantas células queremos colocar nesse cartão”, ressalta Rafael Rattes, designer de artefatos biodigitais da BI/OS.

Ou seja, os meninos deixam de “desenhar a arquitetura e o design para desenhar a estratégia da arquitetura e do design”, afirma Isac Filho, arquiteto de estratégia biodigital da BI/OS. Entender essa proposta é fácil. Imagine uma planta. Se ela recebe sol apenas de um lado, ela vai desenvolver naturalmente essa parte que recebe sol.

“Você tá dando um input de crescimento para ela. O que isso quer dizer? Que a arquitetura que a gente faz consegue ser mais coletiva. As pessoas podem dar um input dessa arquitetura e design. A sociedade hoje pede cada vez mais para participar dos processos. Da cidade. Do que está sendo feito nela. A gente traça a estratégia e a coletividade [usuários] é responsável pelo resultado final do projeto”, explica. Tudo isso através de estratégias de design paramétrico, metadesign e biolearning.

Isac, Rafael e Paulo: da BI/OS
Isac (E), Rafael (C) e Paulo (D): concretização da BI/OS aconteceu após empreendedores passarem fim de semana juntos

Isso impacta positivamente até na questão financeira. As soluções da BI/OS custam de acordo com o orçamento do cliente. “O valor é um input. Se o cliente diz que não quer gastar mais que ‘x’, o projeto vai ser trabalhado em função disso. Entregamos a solução em cima desse parâmetro e não ao contrário”,

BI/OS: startup para todos os públicos

Com menos de um ano no mercado, a BI/OS já atua em três áreas: Macro, Micro e Educação. Na Macro, os sócios desenvolve projetos em arquitetura e urbanismo. O foco é criar um ecossistema harmônico entre cidades e pessoas. Uma das soluções foi apresentada poucos dias após a criação da startup. Durante o Urban Think Campus, em outubro passado, os meninos trouxeram um pavilhão paramétrico.

A solução é uma estrutura geodésica e utiliza barras de ferro como base, possui três variações de triângulos e utiliza cascas de frutas em sua cobertura. O projeto foi usado para ser um espaço de discussão e troca de ideias durante o evento.

Ainda no segmento Macro, os sócios investem em concursos para maior visibilidade da marca, mas não descartam parcerias com empresas públicas e privadas. “Realizamos projetos tradicionais para escritórios, casas e espaços públicos, mas vamos investir pesado nos concursos. ssim teremos mais chance de visibilidade, mas sem perder a liberdade de criação”, esclarece Paulo.

Pavilhão paramétrico da BI/OS foi apresentado durante a Urban Think Campus, em outubro do ano passado
Pavilhão paramétrico da BI/OS foi apresentado durante a Urban Think Campus, em outubro do ano passado

No âmbito Micro, o foco é o design de produto, como a luminária Bulbo. O produto é um dos primeiros comercializados pela BI/OS e é produzido dentro de um processo artesanal e digital. “Utilizamos a mão de obra local, apresentando para empresários de pequeno e médio porte novas possibilidades de negócio”, afirma Rattes. Essa parceria movimenta a economia local, além de estimular o Movimento Maker.

Já o último segmento, a Educação, quer proporcionar um novo tipo de percepção. Através de workshops, palestras e treinamentos, os sócios da BI/OS querem levar o conceito de Biodigital, além de disseminar a marca.

Mas a BI/OS também terá uma plataforma…

Um dos planos de negócio da BI/OS é criar uma plataforma colaborativa. “É a lógica do BI/OS. Estamos trabalhando para desenvolver nosso trabalho como startup, criar um negócio escalável”, diz Paulo. Os meninos chegaram a simular a ferramenta para participar de um processo de seleção do Google, em julho deste ano.

A estratégia é dar continuidade a essa plataforma neste segundo semestre de 2016 e lançá-la possivelmente em 2017. “O BI/OS é um escritório de estratégia. Se o usuário quer fazer um pavilhão, ele vai acessar nossa plataforma, acessar a aba de Pavilhão e montar toda a estratégia dele”, explica Rattes. “É sair do offline para o online”, complementa Isac.

Os meninos da BI/OS gravaram um vídeo explicando um pouco mais sobre as ideias que eles querem trazer para os usuários. Confira:

Fotos: Thulio Falcão/Tecnosense; Arthur Mota/Tecnosense; Divulgação

Vídeo: Arthur Mota/Tecnosense