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[Análise] Resident Evil 7 para Xbox One

Resident Evil tem sido uma franquia no estilo “ame ou odeie”. Muitos acham Resident Evil 4 um divisor de águas na série, abandonando o survivor horror para trazer mais ação. De fato, o que se viu nos títulos numerados seguintes foi o exagero bem à moda recifense. Protagonistas quase inumanos, vilões surreais, tramas ridículas, além exigir a perfeição de jogadores em modos mais difíceis – ignorando totalmente o terror e estratégia existentes na primeira trilogia.

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Daí veio Resident Evil 6 para chutar o balde e criar uma camada fina na franquia. Quebrá-la seria quase como colocar um fim em toda a história que a Capcom criou com Resident Evil, lá em 1996. Se a desenvolvedora escutou os fãs e conseguiu criar a subsérie Revelations, com foco mais no terror, por que não fazer o mesmo para a franquia principal?

Após muitos rumores, especulações, relatórios fiscais, a Capcom anunciou Resident Evil 7 como um jogo que voltava às origens. Mas com uns diferenciais impactantes. O primeiro é a ausência de protagonista conhecido. O segundo, jogabilidade em primeira pessoa. Muita gente achou ruim o fato de não ter um Chris Redfield, Leon Scott Kennedy, Jill Valentine, entre outros personagens tão adorados na franquia.

Sendo bem sincero, eu já estava cansado com a Capcom sempre empurrar personagens que – de certa forma – não tiveram um descanso do jogo anterior. Leon é protagonista do 2, 4 e 6. Chris está no 1, 5, 6 e Revelations. Os dois ainda vão protagonizar o novo filme de Resident Evil, com lançamento lá para maio. É uma overdose desnecessária.

Acho que a Capcom percebeu e mudou tudo com Resident Evil 7. No jogo você é Ethan Winters. Três anos após a suposta morte da esposa, ele recebe um e-mail dela pedindo para busca-la em algum lugar na cidade de Dulvey, na Louisiana. A trama começa a desenrolar a partir do momento em que o personagem chega ao local e percebe que as coisas não são bem como parecem. O que era para ser um momento de alegria e nostalgia, torna-se um verdadeiro terror. E assim começa Resident Evil 7.

De volta às origens…

Resident Evil 7 tem muita coisa “chupada” dos outros jogos. Ambientes escuros e apertados, pouca munição, sons esquisitos e, claro, sustos. Quem acompanha a franquia desde o começo pode perceber que praticamente todos os títulos estão ali. Tem referência a Resident Evil 1, 2, 3, Code Veronica e até mesmo ao Dead Aim (que eu particularmente adoro, mesmo quando todo mundo odeia).

O que muda é a jogabilidade em primeira pessoa. A imersão ao jogo realmente acontece com essa troca de câmera. Ainda mais que você não tem mais noção de espaço, nem consegue saber o que tem ao seu redor. Se um inimigo te ataca de frente, um pode vir por trás sem você se dar conta. Estou terminando no modo Hospício e ainda fico tenso com os barulhos esquisitos, achando que a qualquer momento um mofado vai aparecer e me matar.

A Capcom não errou ao voltar com essa percepção de terror que tínhamos da franquia. Diferente dos outros títulos, aqui você ainda precisa ter uma noção de stealth – em certos momentos, é preciso de esconder para não ser encontrado por Jack ou Marguerite. Pena que não é algo muito explorado ao longo do jogo, só acontece em algumas partes mesmo. Isso acaba limitando o medo e a tensão, porque ao passar desses cenários, você sabe que tudo vai ficar bem por alguns instantes.

Sistema de batalha

Não costumo jogar títulos em primeira pessoa. Quando soube da mudança de Resident Evil 7, comecei a procurar jogos para me adaptar com esse sistema. Pode rir, mas acabei ficando viciado em Call of Duty: Infinite Warfare por isso. Com o game da Capcom, enfrentar os inimigos ficou mais difícil.

Um dos principais motivos é a falta de mira automática. Achei isso ótimo. Era sempre uma opção em outros jogos da franquia, então era só manter uma distância legal para atirar nos inimigos e não ser morto. Com Resident Evil 7 é preciso pensar um pouco mais, já que você deve mirar em local estratégico nos monstros para evitar danos maiores.

Complemento a isso, os mofados se movimentam de várias formas. Quanto maior a dificuldade, maior o dano e a inteligência deles. Assim como as dos chefões também. Jack Baker corre mais rápido que você. Então é preciso estratégia para sobreviver ao primeiro encontro com ele. A mesma coisa com Marguerite.

O sistema de batalha é interessante, mas se torna chato no modo Hospício. Assim como Resident Evil 5 e 6, no 7 você precisa lidar com inimigos que te matam com apenas um golpe. Há aquele problema visto no primeiro Revelations, em que você dava mais de 20 tiros de pistola para matar um Ooze. É mais um exagero do que uma dificuldade e acaba irritando aqueles que querem jogar pelo desafio e não pela perfeição.

O pior que nem as armas mais potentes – lança-granadas, shotgun, Magnum – resolvem todos os seus problemas. Às vezes você descarrega boa parte da munição nos inimigos e ainda precisa de um combate corpo a corpo para se sair bem.

Design de Resident Evil 7

Resident Evil 7 é um jogo lindo, mas não perfeito. Os ambientes e personagens são bem trabalhados e detalhados, mas algumas texturas deixam a desejar no Xbox One. Parece que foi um trabalho feito às pressas. Ao se aproximar de um quadro, por exemplo, o objeto fica embaçado, pixelado.

Pode ter sido um deslize da Capcom, mas ao menos ela compensou em outras coisas. No modo Hospício, os danos que Ethan recebem ficam mais aparentes no corpo do personagem. Numa parte em que os insetos de Marguerite começam a ataca-lo, o protagonista fica com os braços inchados e cheios de calombos. Isso não se vê no modo Normal e Fácil.

A sujeira também é bastante evidente no jogo, tanto nos cenários quanto nos personagens. A ideia de causar alguma sensação através desses detalhes funcionou. E isso deve ficar ainda mais legal quando jogado com um óculos de realidade virtual.

Outro ponto positivo é a trilha sonora… ou a falta dela. Em alguns momentos você joga em um silêncio absoluto. Ao explorar a mansão, você escuta um som no andar de cima, ou uma batida na porta. O susto não aconteceria caso uma música estivesse rolando de fundo. A impressão é que, com a ausência de uma trilha, a tensão fica cada vez maior já que Jack ou um mofado pode aparecer qualquer momento.

Claro, a falta de trilha tem seu lado ruim também. A Capcom não acertou nos momentos em que ela deveria aparecer, como na batalha final. A música é tão baixa que não deixa a cena memorável. Isso acontece várias vezes no jogo, acabando com o clímax.

E o que dizer da história e dos personagens?

Talvez a maior falha de Resident Evil 7 seja nisso. O jogo é muito curto se formos comparar com outros títulos da franquia. Você só demora muito na primeira jogada porque está pegando o jeito. No resto, você consegue terminar com menos de quatro horas bem fácil (há uma conquista caso você termine até esse tempo).

Além disso, parece que a Capcom preparou o terreno com o game para depois jogar a bomba nos fãs. Se ela vai fazer isso com os DLCs ou nos próximos anos com um jogo numerado, quem sabe? Mas a impressão é que Resident Evil 7 é só um pequeno capítulo de uma conspiração maior.

Outro problema é a falta de simpatia e empatia de Ethan e os outros personagens. Por ser em primeira pessoa, não vemos o rosto dele, nem sabemos quem ele é. Como gostar de uma pessoa dessa? A mesma coisa com Mia, Jack, Marguerite, Lucas, Zoe e a vilã do jogo.

Todos eles são personagens descartáveis e a Capcom arrumou uma história bem emotiva para explicar a loucura da família Baker. Só que para mim não funcionou. Resident Evil 6 tem, no enredo, um motivo fútil bem ao tom de A Usurpadora. E a empresa precisou pegar justamente isso para trazer ao 7?

A vilã do jogo é outra decepção. A batalha final é rápida, previsível e sem emoção alguma. A história por trás da criação da B.O.W. não é totalmente explicada. E isso tem um motivo: a busca dela por uma família. Não! Por favor! Sem sentimentalismos aqui. Como disse, já vimos isso em Resident Evil 6 e não deu certo.

Por fim, Resident Evil 7 é…

Um jogo que deu certo à sua maneira. Tem terror, tem sustos, tem estratégia para sobreviver com pouca munição. Mesmo assim, a Capcom exagerou no enredo fútil e na falta de inimigos – são poucos e repetitivos ao longo do game -, assim como na ausência de dificuldade quando se joga no modo Hospício.

Vale lembrar que o jogo é bastante curto para o preço cobrado (R$ 249 a versão normal e R$ 344 a de luxo, que inclui o season pass) e não traz nenhum extra – é preciso comprar o passe de temporada. Por sorte, a Capcom prometeu uma DLC para explicar aquele final que encucou muita gente. No fim, Resident Evil é uma diversão que deu um gás à franquia, mas que pode estar fadado a ser esquecido logo logo.

Avaliação do Editor

Enredo 75%
Jogabilidade 90%
Gráficos 85%
Trilha sonora 95%
Fator replay 90%
Resident Evil 7 deu um gás à franquia ao trazer de volta o terror de sobrevivência dos primeiros títulos da série. Mesmo assim, a falta de empatia do protagonista e um enredo fútil podem transformar o game em um título apenas divertido, mas não memorável.
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Thulio Falcão

Thulio Falcão

Eu sou jornalista e gosto de brindar. Na falta de um par, brindo só. O importante é o copo cheio. Nada melhor que jogar videogame ou discutir tecnologia num boteco de esquina.