AnálisesNotícias

[Análise] Samsung Gear Fit 2

Confesso que nunca levei muito a sério o mercado de wearable. As fabricantes tinham aquele discurso de que um vestível sempre servia como uma segunda tela do smartphone. Você tinha toda uma possibilidade de recursos, mas sempre limitados por exigir pareamento via Bluetooth, Wi-Fi ou qualquer outra conexão. Para mim, era um segmento com fim pré-datado sempre.

LEIA TAMBÉM:
[Análise] Samsung Galaxy S7

[Análise] Samsung Gear VR

Daí que todo mundo – eu mesmo não – resolveu virar fitness. Uma ótima oportunidade para trazer vestíveis para esse público e a Samsung é uma das várias fabricantes que apostaram neste mercado. No ano passado, a marca lançou o Gear Fit 2. A sport band tem como principal destaque o GPS integrado. Passei alguns dias utilizando a pulseira e você confere abaixo como foi minha experiência.

Design

O Gear Fit 2 tem um design simples e discreto, lembrando um pouco a Mi Band da Xiaomi. Ela é confortável e leve e pesa somente 30 gramas. A pulseira ainda possui dois botões na lateral – um para voltar a ação e outro para ir direto à tela inicial.

Embora a pulseira tenha certificação IP68, no manual do produto há uma recomendação da Samsung para não molhá-lo por completo. Não sou rato de academia, mas quando testei o vestível, um dos exercícios passados pelo meu treinador era correr 30 minutos na esteira, aumentando a velocidade a cada dois minutos.

Preciso nem comentar o meu estado após essa corrida, né!? A pulseira ficava encharcada e eu sempre a limpava com algum pano para tirar o excesso de suor. Mesmo assim, sempre usando nas atividades físicas, o produto vai ficando sujo por trazer um acabamento parecido com borracha.

Funcionalidades

Praticamente toda sport band precisa de um aplicativo à parte. Com o Gear Fit 2 são necessários dois. O primeiro é o Samsung Gear. O app serve como uma tela “espelhada” da pulseira. Nele você vê a configuração do gadget, envia músicas ao produto e baixa diversas opções de mostradores para o relógio.

O segundo é o S Health, aplicativo da própria Samsung. O registro de todas as suas atividades físicas, calorias perdidas, refeições, água e cáfe consumidos fica armazenado nele.

Quanto à pulseira, o desempenho dela é excelente. A Gear Fit 2 é compatível com smartphones da Apple e aparelhos com Android 4.4 ou superior. Ela possui 0.5GB de memória RAM, 4GB de armazenamento interno – mas pouco menos da metade fica disponível -, além de um processador dual-core de 1GB.

Com acelerômetro, barômetro, giroscópio e sensor de batimentos cardíacos, a pulseira não apresentou problemas em registrar informações como passos dados, calorias perdidas em uma atividade ou traçar a rota feita durante uma corrida. Ah! Ele contabiliza também o sono da tarde. Acho que foi o primeiro vestível que testei que faz isso. É até interessante porque vi como meu cochilo neste horário afetava na hora de dormir à noite – madrugada, quer dizer.

Meu único problema foi que senti uma dificuldade em sincronizar essas informações. Houve momentos em que foi preciso registrar alguns dados de forma manual – como o tempo de sono, por exemplo.

Desempenho

A pulseira faz bem seu papel de relógio, mas senti falta de um alarme. Funções como cronômetro e temporizador estão presentes, ótimas para esportistas que trabalham sempre com o tempo. Ainda é possível receber notificações do smartphone no vestível, mas eu ignorei total essa parte e explico o motivo.

O Gear Fit 2 tem um player de música. Quando vou para a academia ou correr na praia, coloco meu fone de ouvido e entro em meu mundo particular. Só penso em ouvir minha playlist e finalizar meu treino sem interrupções. Lembrando que a transferência de faixa para a pulseira é por Bluetooth e demora muito!

Certo que eu posso desativar as notificações ao deixar a pulseira pareada com o smartphone. Mas quem pratica bastante a arte do desapego sou eu. Não quero um vestível no pulso vibrando e me lembrando que alguém ligou, que uma mensagem chegou ou que tenho um compromisso. Até porque esse nem é o propósito da sport band da Samsung. Então para mim se tornou uma coisa inútil, sem sentido.

Sobre o GPS, o sensor desenha muito bem o trajeto que você faz quanto o recurso está ativo, exceto em uma esteira. Mesmo você correndo nela, a pulseira vai te notificar dizendo que você precisa se exercitar mais. Vai entender.

Aplicativos

Como escrevi lá em cima, você instala dois aplicativos para ter uma experiência completa com o Gear Fit 2. Para mim, o S Health é o essencial. Todas as minhas atividades físicas, alimentação e sono estavam armazenadas nele.

Eu faço uma dieta de 1.500 calorias – continuo dizendo que não sou fitness – e você consegue inserir informações de sua alimentação. Tudo bem que a pulseira não tem um sensor para adivinhar o quanto você comeu. Mas como eu pesava minhas refeições em uma balança, eu conseguia passar isso para a ferramenta e ter uma noção dos valores calóricos.

Para quem é bem regrado ou tenta ser, é uma ferramenta bem legal. Ao menos comigo, os valores deram bem próximos à minha dieta. Então eu sabia que, mesmo tomando aquela cerveja no fim de semana, eu não estava saindo tanto da linha.

Já o Samsung Gear não é nada fenomenal. É mais um aplicativo para gerenciar a memória e outras configurações da pulseira. Minha crítica aqui é em relação ao Tizen. O Gear Fit 2 possui o sistema operacional próprio da Samsung. Ele funciona bem nas Smart TVs? Funciona. Mas a plataforma se perde no vestível.

Não há opções de aplicativos para complementar sua experiência como esportista. A maioria são mostradores e quase todos são feios. Eu acabei deixando o padrão de fábrica mesmo por ser o que eu melhor enxergava – não vou correr de óculos, ok! Mas o legal é que a Samsung permite personalizar o display com outras informações além do relógio. Então você pode deixá-lo de acordo com suas preferências.

Bateria

O pesadelo de muitos, a bateria do produto até que durou bem. Consegui entre um dia e meio a dois dias utilizando sempre emparelhado com o smartphone. O Gear Fit 2 ainda tem um tempo de carregamento mediano. Ele acompanha um carregador próprio, que dá para conectar o cabo na tomada ou até mesmo PC. Eu aproveitava alguma deixa como banho ou compromisso que exigisse algo mais formal para carregar a pulseira.

Vale a pena comprar o Gear Fit 2?

O Gear Fit 2 foi um dos melhores vestíveis que eu testei, mas esbarra no preço. A pulseira custa R$ 1.199 na loja da Samsung. Lá fora, você encontra por US$ 179 (R$ 564 em conversão direta). Os recursos são interessantes e os sensores deixam a experiência mais dinâmica por serem bem fieis aos dados registrados. Mesmo assim, tenho uma Mi Band 2 da Xiaomi e só paguei R$ 120 por ela.

Claro, na faixa de preço praticado pela Samsung e outras fabricantes no Brasil, o Gear Fit 2 se torna a melhor opção. Para mim, só o fato dela registrar aquele cochilo depois do almoço já ganha em disparada. Mas como escrevi no começo do texto, sempre achei esses produtos com data de validade.

Uma empresa promete medir a massa muscular e gordura corporal. Já a outra garante saber as calorias de um alimento ingerido. Mas até onde vale a pena pagar por esses recursos? Escrito isso, o que é que as empresas podem trazer de novo em uma próxima geração de sport band? Fica aí a reflexão!

*O Gear Fit 2 foi emprestado pela Samsung para a realização dos testes.

Avaliação do Editor

Design 90%
Custo-benefício 80%
Desempenho 100%
Bateria 90%
Sistema Operacional 75%
O Samsung Gear Fit 2 é um vestível para todos os tipos de praticantes de atividades físicas. Com GPS integrado, diversos sensores e um design discreto, a pulseira se destaca quando comparada à concorrência, mas esbarra no preço. É preciso desembolsar mais de R$ 1 mil para manter a saúde em dia.
87
Pernambuco registra 22 mil pedidos de portabilidade numérica no primeiro trimestre
Previous post

Pernambuco registra 22 mil pedidos de portabilidade numérica no 1º trimestre

PES 2017 Mobile chega aos smartphones até fim de maio
Next post

PES League: Três brasileiros vão disputar a Final Continental das Américas

Thulio Falcão

Thulio Falcão

Eu sou jornalista e gosto de brindar. Na falta de um par, brindo só. O importante é o copo cheio. Nada melhor que jogar videogame ou discutir tecnologia num boteco de esquina.