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por Luiz Riscado* – Quem participou do Mobile World Congress este ano, em Barcelona, certamente voltou para casa com importantes reflexões. O congresso foi cenário de um debate amplo sobre as forças que transformarão o ecossistema de telecomunicações no futuro próximo e que serão responsáveis por gerar as maiores oportunidades e ameaças para essa indústria.

Alguns temas já estavam no radar do setor, como a quarta revolução industrial e o potencial do 5G. Mas o centro das atenções deste ano, sem dúvida, foi a inteligência artificial – e as possibilidades que ela proporciona uma vez conectada às redes de telecomunicações.

A constatação geral é simples: agregar inteligência à montanha de dados gerados diariamente por uma operadora será um fator crucial para seu sucesso e para garantir o retorno dos grandes investimentos necessários para a expansão do 5G.

Telecom em três momentos

Nas últimas edições do MWC, foi possível observar três grandes ondas de evolução no diagnóstico sobre o que definirá o sucesso ou o fracasso do setor nos próximos anos. Foram elas:

1 – Desenvolvimento tecnológico e velocidade de transmissão: No início desta década, cerca de 70% da agenda do congresso era dedicada a apresentar os avanços em redes, transporte e acesso. O lançamento e os primeiros anos da rede 3G marcaram esse estágio. A convicção era de que o desenvolvimento da infraestrutura, com velocidades de transmissão cada vez maiores a custos reduzidos seriam os elementos-chave da indústria.

2 – Rentabilização de redes: Em um segundo momento, com a queda das receitas de voz e a comoditização da oferta de dados, o caminho parecia ser o desenvolvimento de formas criativas e eficientes para rentabilizar as redes, com um esforço especial em conhecer e acompanhar a jornada e a experiência dos clientes. Assim, os debates no Mobile World Congress eram divididos entre tecnologia de redes e aplicações, serviços e formas de monetização. O Analytics também entrou em pauta como o caminho para o sucesso da indústria, em paralelo ao lançamento e consolidação do 4G;

3 – 5G e IoT: Com o 5G cada vez mais em alta, a estimativa é de que, até 2025, 1,2 bilhão de usuários tenham acesso a esse serviço. Entre os assuntos relevantes para a indústria, apenas 30% dos temas tratam de tecnologias de rede. O restante reúne discussões sobre geração de receita e serviços de valor agregado, tais como Internet das Coisas, realidade aumentada, carros autônomos, cidades inteligentes, entre outros. Evidente que a inteligência analítica é o combustível para alimentar as decisões ligadas a todos esses temas.

O que esperar do futuro

Quem já atua desenvolvendo e aperfeiçoando técnicas de Inteligência Artificial em suas soluções, terá vantagem no desafio de tornar a conectividade das redes e dos serviços de telecom cada vez mais inteligentes. A Inteligência Artificial e o Machine Learning são elementos evolutivos em relação à jornada de implementação de plataforma analítica que as operadoras brasileiras estão usando nos últimos cinco anos.

Quanto à Inteligência Artificial, boa parte da energia dedicada a ela está empregada na camada de interação com as máquinas. E todos os dispositivos envolvidos nas redes de telecom tendem a ter as capacidades desse tipo de inteligência como tecnologia embarcada.

Para uma empresa de telecom, o verdadeiro valor da Inteligência Artificial se traduz em gerar receita para o negócio, além de ajudar na redução dos custos operacionais. Isso é possível ao se aplicar os ciclos analíticos que permitem a uma operadora automatizar seus processos orientados a dados.

Os requisitos para o sucesso em Inteligência Artificial – ganho de escala e self-service analytics, por exemplo – serão uma realidade em pouco tempo, com custos cada vez menores. Isso é o que chamamos de Advanced Analytics.

Há muito trabalho a ser feito e a essência disso é a estruturação dos processos para automação do ciclo analítico. Para as empresas já envolvidas com a chamada “terceira onda”, quanto antes elas adotarem a conectividade inteligente em sua oferta de serviços, maior será seu diferencial competitivo.

*Luiz Riscado é diretor comercial do SAS Brasil.