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Desde pequeno gostei de jogar videogame. Adorava me aventurar em Final Fantasy VI, sair apertando os botões para conseguir vencer em Mortal Kombat 3, ou até mesmo me jogar o controle em Mario Kart. Hoje, com 30 anos, continuo jogando diariamente em meu Xbox One. O jogo da vez é Injustice 2 – em que me ensinou que jogo de luta é muito mais estratégia e combos do que golpes especiais.

Dito isso, me vi cada vez menos sendo julgado por terceiros quando digo que, sim, amo jogar videogame, reunir os amigos para dançar em Just Dance ou fazer uma noite de jogos. E é isso que mostra uma nova pesquisa da Dell, que mapeou o perfil dos gamers brasileiros e de outros lugares do globo. O estudo, feito em 11 países, analisou o comportamento, hábitos e peculiaridades dos jogadores.

O resultado? Engana-se aquele que acha que o gamer vive em seu mundo particular. No Brasil, jogadores gostam de atividades físicas, passar tempo com a família e amigos e sente orgulho de jogar. A pesquisa entrevistou 5.763 jogadores. Do total, 580 são brasileiros.

Por sinal, nós somos os que mais gostam de exercícios físicos. Enquanto a média mundial é de 35%, por aqui, 46% fazem atividades físicas regularmente. Escutar música (75%), viajar (67%), passar tempo com a família (67%) e amigos (60%) são outros interesses dos brasileiros.

A comunidade dos gamers dá exemplo quando o tema é inclusão. No Brasil, apenas 14% dos jogadores relataram importar-se com a raça, orientação sexual ou visão política de seus adversários ou parceiros em jogos online. Na média dos demais países, esse índice é de 21%. Em território nacional, o que mais importa na hora de jogar contra um adversário ou escolher um parceiro de equipe é a habilidade no jogo (51%).

O gamer de hoje também não tem motivos para ficar escondido no quarto. Segundo a pesquisa, os jogadores brasileiros têm orgulho de jogar e, quando questionados sobre qual a sensação quando são identificados como tais, os entrevistados mencionaram que por serem gamers, são mais divertidos (50%), empolgados (41%) e inteligentes (40%). Em contraste, apenas 7% dos consultados afirmaram que se sentem julgados ou diminuídos por jogarem.

Gamers afirmam que jogar traz benefícios sociais além da diversão. Foto: VG247/Reprodução

A maioria dos gamers brasileiros (53%) começa a jogar antes dos 13 anos. Isso representa um percentual superior em contraste até mesmo com mercados mais tradicionais dos jogos como o dos Estados Unidos, onde 41% começam antes dessa faixa etária. Em compensação, quando o assunto são horas jogadas, os norte-americanos ficam à frente com a maioria dos gamers, passando de dez a 19 horas por semana online. No Brasil, a maior parte joga de uma a nove horas semanais.

No Brasil, os gamers entendem que, além da diversão, jogar traz benefícios para suas vidas pessoais, entre os quais: estímulo do pensamento estratégico (43%), avanço na coordenação motora e da visão (46%) e melhoria no tempo de reação (45%). A pesquisa também mostra que esses jogadores estão dispostos a compartilhar a diversão, uma vez que 83% dos entrevistados afirmaram já terem apresentados jogos para dois ou mais amigos que posteriormente também viraram gamers.

Com o avanço das tecnologias de comunicação nas plataformas de jogos, os games são cada vez mais sociais. No Brasil, 37% dos consultados mencionaram que fizeram grandes amizades a partir de um contato iniciado em um jogo. Para 32%, os jogos ajudam a mantê-los conectados com seus amigos e 8% até encontraram suas almas gêmeas durante um jogo.

Exercícios físicos, música e amigos são os interesses dos gamers brasileiros. Foto: The Sun/Reprodução

Embora os gamers valorizem os aspectos sociais permitidos pelo avanço da tecnologia, eles ainda entendem que há espaço para evoluir. Para melhorar a comunidade, 36% deles acredita que são necessárias melhores ferramentas de comunicação nos jogos, 29% querem mais recursos interativos e 28% gostariam de ver mais ferramentas colaborativas.

Mercado de games

De acordo com a consultoria Jon Peddie, o mercado de games global está em franca ascensão e superou os U$ 30 bilhões anuais em vendas pela primeira vez em 2016. A previsão é de crescimento anual composto de 6% até 2019. “A pesquisa comprova que é um grande momento para que novos gamers juntem-se à comunidade”, explica Vinicius Lima, Gerente de Marketing para o Portfólio Gaming da Dell.

Pesquisa

O levantamento realizado pela consultoria ResearchScape mapeou o comportamento de jogadores da Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Japão, Nova Zelândia, Reino Unidos e Estados Unidos.