“Decidimos ser alguém em algum lugar”, afirma Asus sobre forte presença no Brasil

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“Quando a gente entrou no mercado de smartphone tínhamos duas opções: fazer o que todo mundo fazia… e perder para todo mundo. Ou tentar buscar alternativas que ninguém estava olhando”. Assim Yuri Franco, gerente de marketing da Asus, resume o sucesso da empresa no Brasil.

Por que a Asus consegue trabalhar preços competitivos no Brasil!?

Desde que chegou por aqui, a marca apostou em um marketing mais agressivo, além do famoso “boca a boca”, para chamar atenção dos consumidores. E deu certo. Com pouco tempo de “casa”, a Asus mostrou entender o que o usuário precisava em um smartphone e ainda gerou buzz com outras fabricantes.

Asus mira no Nordeste para expandir a marca

Em entrevista ao Tecnosense, Yuri Franco fala mais sobre essa estratégia de marketing, Zenfone 5 e planos de expansão da Asus. Confira:

Tecnosense: Qual a análise da Asus sobre a evolução do marketing do Zenfone 5 até o Zenfone 5 (2018)?
Yuri Franco: A gente começou de uma forma diferente. Quando a gente entrou no mercado de smartphone tínhamos duas opções: fazer o que todo mundo fazia… e perder para todo mundo. Ou tentar buscar alternativas que ninguém estava olhando.

Inicialmente priorizamos produtores de conteúdo de tecnologia. Com o tempo, criamos corpo e ganhamos espaço no mercado e na mídia para ir para meios que não fomos no começo. Era uma estratégia “Zero Paper”, em que todo investimento era somente em mídia digital.

Hoje, saímos do digital e partimos para o Out of Home (OOH) e TV a cabo. O que a gente sempre tenta fazer é “ok, eu posso ser ninguém em todos os lugares ou ser alguém em algum lugar. Então a gente sempre decidiu ser alguém em um lugar”.

TS: A Asus tem um marketing agressivo?
YF: Eu acredito que sim. Temos um marketing muito aberto. A gente fala muito o que pensa e colhe os frutos disso, até mesmo os problemas que isso pode causar. A vantagem de ser a “menor” é que a gente pode brincar e provocar as fabricantes que estão na frente.

Essa provocação é mais para instigar as pessoas a entenderem que eles têm a Asus é uma nova alternativa, que trazemos produtos com muita qualidade, tecnologia e preços competitivos. E usamos isso para provocar também o consumidor.

Desde que chegamos com smartphones no Brasil, o pessoal de TI viu a Asus como uma escolha além do modismo. E pegamos carona nessas recomendações. Conseguimos fazer barulho, ser agressivo e ganhar mercado de uma maneira rápida.

TS: O marketing boca a boca também é um grande aliado da Asus…
YF: O marketing boca a boca é uma das estratégias de marketing que pode passar anos e ele nunca vai deixar de ser extremamente efetivo. Uma série de pesquisa mostra que, uma pessoa próxima a você te indica algo, você tende a acreditar mais do que quando um comercial passa na TV.

Temos também essa estratégia de se aproximar dos criadores de conteúdo, se aproximar até do público. A gente tenta até responder em nossas contas pessoais. A partir do momento que elas sabem que podem contar com a Asus, elas vão indicar [nossos produtos] a outras pessoas.

A gente sabe que esse marketing boca a boca faz sentido. Quando as pessoas começam a se comunicar e passam isso para frente [sobre a qualidade dos produtos da Asus] é onde a gente ganha. Porque não faz sentido você pagar R$ 5 mil em um smartphone, mas faz sentido você pagar R$ 2 mil e ter um celular com as mesma especificações.

Com o lançamento do Zenfone 5 já sentimos isso e o boca a boca, não só dos criadores, mas dos primeiros compradores, vai fazer a gente ganhar destaque cada vez mais.

TS: Como é sair do 5 e voltar ao 5? A Asus trabalhou muito a coisa da revolução, então como foi esse processo ao trazer o Zenfone 5 para o mercado nacional?
YF: A gente vem notado essas quebras que temos de um smartphone para o outro. O Zenfone 5 foi uma revolução porque foi nosso primeiro smartphone e deu muito certo.

O Zenfone 2 foi uma revolução do Zenfone 5. Já o Zenfone 3 foi uma revolução do 2 por sair do plástico e processador Intel para um design de metal e vidro. O Zenfone 4 trouxe alguns detalhes mais.

E o Zenfone 5 traz outra quebra de paradigma por ter uma tela que ocupa quase todo o corpo, o uso da Inteligência Artificial, a parceria com a Turma da Mônica e uma série de outras iniciativas.

Todo ano falamos isso, mas com certeza o Zenfone 5 é o melhor smartphone que nós fizemos!

TS: Como a Asus tem lidado com a questão da assistência técnica?
YF: A assistência seja a mais complexa aqui no Brasil pelo tamanho do país. Não existem grandes grupos de assistência e é difícil manter o controle delas, no sentido se elas fazem o reparo da maneira correta, se utilizam peças originais, se entregam a qualidade de reparo que a gente exige, por exemplo.

Até então, a gente tem uma assistência centralizada em São Paulo. As pessoas tinham que mandar o produto para cá e ficar alguns dias sem ele, esse é o lado negativo. O positivo é a garantia de peças originais, de que o produto foi reparado da forma correta.

Mas o brasileiro tem um comportamento diferente do resto do mundo e abrimos uma primeira assistência balcão em São Paulo. Agora expandimos para mais sete estados, incluindo o Nordeste. Os usuários terão pontos físicos para deixar o aparelho e pegar depois.

Ela vai continuar deixando o aparelho, mas com certeza dá mais segurança que ela sabe onde está o aparelho, sabe o telefone e o e-mail de estabelecimento. Isso faz parte do nosso compromisso em ter o Brasil como o principal mercado. Ao todo, são nove assistências espalhadas por todos os estados do país.

TS: Priorizar produtores de conteúdo de tecnologia resultou em algumas “tretas”, como no Asus OnBoard 3, em que jornalistas não queriam se misturar com influenciadores e vice-versa. O que a empresa pensa disso?
YF: A gente sempre trata todo mundo igual. Um criador de conteúdo de tecnologia deveria ter o mesmo peso que um jornalista com anos no mercado. Avaliamos isso a partir de uma métrica própria, que é nosso segredo de estado, e que ranqueia todo mundo.

Nesse ranking eu considero jornalistas e criadores de conteúdo de tecnologia no mesmo patamar. Acho que todos estão se acostumando com esse nosso jeito de tratar todo mundo da mesma forma, de darmos prioridade para pessoas que estejam a fim de fazer, que tenha conteúdos legais.

Esse balanceamento é um caminho que o mercado uma hora vai tomar e, pelo que eu vejo, vamos estar à frente disso.

TS: A Asus tem uma relação muito boa com produtores de conteúdos e, com alguns, há uma amizade. Como a empresa equilibra isso para que o feedback seja o mais verdadeiro possível?
YF: De fato, a gente cria uma proximidade grande. É uma característica nossa ser acessível, o que é diferente para o mercado de tecnologia. A normalidade é que haja uma barreira entre os porta-vozes e a imprensa. Mas nós tentamos minimizar isso porque, para gente, não faz sentido.

Isso acaba criando, em alguns momentos, uma relação de amizade. A gente tem contato próximo com uma série de pessoas, mas é claro que temos um contato profissional. E tentamos ser claros e taxativos no sentido de “você pode gerar conteúdo, bem ou mal, do produto para o seu canal”.

O que a Asus tem feito, nesses quatro anos, é tentar escutar os pontos negativos e melhorá-los. É sermos humildes de ouvirmos todos essas críticas e tentar melhorar para lá na frente não ter mais. Não é negar que não há problemas em nossos aparelhos e que somos a melhor empresa do mundo.

E temos usado essas amizades para pegar esses feedbacks, que vêm de forma espontânea. Por ser fácil chegar nessas pessoas mais próximas para saber quais os problemas, entendê-los melhor e poder corrigi-los.